Wednesday, September 17, 2014

Em boa hora
















Na ocasião da conjuntura de se viver
Somos apenas um verbo perdido da poesia
Descrita da débil virtude de nunca ser,
Uma porção estilhaçada de um dia

Temos sonhos tênues de prazeres profanos
Que nos afãs das horas de uma noite perdida
Damo-nos conta de quão louco mediano
Nos furtamos o cálice da bebida.

A Amargura do líquido em níveo fel
Que da taça da vida do vão viver
Sem poesia se perde como um réu
Nos emaranhados da trilha do sofrer.

O que ser se não um verbo que nunca foi escrito
Nas mão trêmulas da lânguida vida,
Apenas uma porção arrancada do pó contrito
Da onde retornará a mesma avenida.

Somos um sonho dos cegos
Que do brilho só se enxerga a escuridão
Que perdido nos próprios egos
Da bebida que lacera o coração.

De alguma forma sabemos que vamos em boa hora
Ao jardim do pó que um dia nos fez carne.
Os sonhos lascivos se perderá no agora
No peito que não mais arde.




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