Em boa hora
Na ocasião
da conjuntura de se viver
Somos apenas
um verbo perdido da poesia
Descrita da
débil virtude de nunca ser,
Uma porção
estilhaçada de um dia
Temos sonhos
tênues de prazeres profanos
Que nos afãs
das horas de uma noite perdida
Damo-nos
conta de quão louco mediano
Nos furtamos
o cálice da bebida.
A Amargura
do líquido em níveo fel
Que da taça
da vida do vão viver
Sem poesia
se perde como um réu
Nos
emaranhados da trilha do sofrer.
O que ser se
não um verbo que nunca foi escrito
Nas mão
trêmulas da lânguida vida,
Apenas uma
porção arrancada do pó contrito
Da onde
retornará a mesma avenida.
Somos um
sonho dos cegos
Que do
brilho só se enxerga a escuridão
Que perdido
nos próprios egos
Da bebida
que lacera o coração.
De alguma
forma sabemos que vamos em boa hora
Ao jardim do
pó que um dia nos fez carne.
Os sonhos
lascivos se perderá no agora
No peito que
não mais arde.


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