Páramo
A cada dia o
errado é mais evidente
Conforme
passam-se os anos.
No sorriso
um amarelado nos dentes
Que não
esconde os tantos enganos
Não tive um
átomo que me servia
Na minha
oprobiosa gestão de viver
E agora
coforme passam os dias
Me conforto
nos abraços do sofrer.
No espírito
ainda me resta uma parte de confiança
Que guardo
no esconderijo da saudade,
Perdida nos
enlace de cada lembraça
Do mal que
em meu peito arde
Parte de mim
é o que Deus criou
E outra é o
que o mundo me fez doer.
Não sou a
inocência qua a infância cultivou
Sou parte da
vida a remoer.
A cada dia o
infotúnio me ordena
A perder da
vida o prazer da arte
Que tão
bela, aprazível e pequena
A vida do
brilho que parte.
Um dia me
contaram como a vida é generosa
E por breve
momentos acreditei na beleza,
Por breve
ais… Eu vi quão formosa…
Percebi que
não é pra mim tal natureza.
Parte de mim
é uma cor escura
Que veste a
sorte da alma minha,
Perdidas na
mais lúgobre ventura
Da imagem do
impossível que se mantinha.
Nunca
entendi porque o erro tende a cativar-me
Em sua
presunçosa tirania,
Não cessa em
atormentar-me
Mesmo em dourados
sonhos e fantasias.
Nas ruas
deste mundo de babilônia profana
A vida, o
sorriso, a gosto vão
Com funesta
alegria me engana
A aceitar
essa espessa confusão.
Sou parte de
um erro sem brasão, sem nobreza
Ficando para
um mundo de solidão invisível,
Debatendo
com os erros da minha natureza
Dos ares da
loucura possível
Sou um caminho ermo sem vitórias para contar
Sem graça a desgraça vem ao encontro.
Vagarosamente tentando me afogar
Vem a vida dos mares sem encanto


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