Monday, October 06, 2014

Páramo




















A cada dia o errado é mais evidente
Conforme passam-se os anos.
No sorriso um amarelado nos dentes
Que não esconde os tantos enganos

Não tive um átomo que me servia
Na minha oprobiosa gestão de viver
E agora coforme passam os dias
Me conforto nos abraços do sofrer.

No espírito ainda me resta uma parte de confiança
Que guardo no esconderijo da saudade,
Perdida nos enlace de cada lembraça
Do mal que em meu peito arde

Parte de mim é o que Deus criou
E outra é o que o mundo me fez doer.
Não sou a inocência qua a infância cultivou
Sou parte da vida a remoer.

A cada dia o infotúnio me ordena
A perder da vida o prazer da arte
Que tão bela, aprazível e pequena
A vida do brilho que parte.

Um dia me contaram como a vida é generosa
E por breve momentos acreditei na beleza,
Por breve ais… Eu vi quão formosa…
Percebi que não é pra mim tal natureza.

Parte de mim é uma cor escura
Que veste a sorte da alma minha,
Perdidas na mais lúgobre ventura
Da imagem do impossível que se mantinha.

Nunca entendi porque o erro tende a cativar-me
Em sua presunçosa tirania,
Não cessa em atormentar-me
Mesmo em dourados sonhos e fantasias.

Nas ruas deste mundo de babilônia profana
A vida, o sorriso, a gosto vão
Com funesta alegria me engana
A aceitar essa espessa confusão.

Sou parte de um erro sem brasão, sem nobreza
Ficando para um mundo de solidão invisível,
Debatendo com os erros da minha natureza
Dos ares da loucura possível

Sou um caminho ermo sem vitórias para contar
Sem graça a desgraça vem ao encontro.
Vagarosamente tentando me afogar
Vem a vida dos mares sem encanto

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