Quando sentimos a morte
Quando sentimos a morte
É um frio que vem escurecendo a alma
É uma pausa no colorir do sangue
É um átimo perdido na gloriosa paz
Quando sentimos a morte
É um gélido e perene suspirar de agonia
Como um pausa na roda da vida
É como o olhar sem futuro da escuridão
Quando sentimos morte
Sentimos o mar bravio dos nossos medos
Sem a precisão de conseguir tocar o chão
Com os demônios te envolvendo na escuridão
Quando sentimos a morte
Vem água invadido cada centímetro do pulmão
E o sufocar da mão no pescoço
No momento em que o ar nos falta
Quando sentimos a Morte
Ninguém nos ajuda no átrio na solidão
Na parte em que nos partimos
No momente em precisamos de uma mão
Quando sentimos a morte
Sentimos o abandono do resto do mundo
No resto que não somos ninguém
No resto que nos resta pra dizem – Amém!
Quando sentimos a morte
Sentimos a solidão que corrói o aço
No espaço sem tempo da agonia sem afeição
Na parte que arde a paixão
Quando sentimos a morte
Sabemos que não há o que chorar
Somente lágrimas sem sal, com a dor de partir
Com a dor do abandono do mundo
Quando sentimos a morte
Sentimos que éramos muito mais que uma gota no mar
Mas sim um orvalho singelo
Que não teve tempo de secar

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