Friday, September 29, 2006

O quase

Ainda pior que a convicção do não
é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda,
que me entristece,
que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga,
quem quase passou ainda estuda,
quem quase morreu está vivo,
quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos,
nas chances que se perdem por medo,
nas idéias que nunca sairão do papel
por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna;
ou melhor não me pergunto, contesto.
A resposta eu sei de cor
, está estampada na distância e frieza dos sorrisos,
na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia",
quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor,
sentir o nada, mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio termo,
o mar não teria ondas, os dias seriam nublados
e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma,
apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas
, nem que todas as estrelas estejam ao alcance,
para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência,
porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória
é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Para os erros há perdão, para os fracassos, chance,
para os amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma.
Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode,
que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você.
Gaste mais horas realizando que sonhando,
fazendo que planejando,
vivendo que esperando
porque, embora quem quase morre esteja vivo,
quem quase vive já morreu. ..
Luis Fernando Veríssimo

Thursday, September 28, 2006

O Que Sou



Sou um poeta,
Sou um tolo !
Tolo que porque me apaixonei,
Tolo porque sei do amor,
Tolo sim, mas nunca ignóbil !

Posso ter errado algumas vezes
Sei que errei e nunca pedi desculpas.
Sou um tolo,
Tolo porque minha culpa me circunda, me enclausura.
Tolo porque não soube corrigir.
A culpa de um tempo atrás agora me apráz,
Sou um insensato !

A minha confição me aprisiona
Minhas palavras fogem do pensamento,
E ecoam nessas palavras malditas,
Malditas sim, porque sumiram na hora correta,
O que posso fazer a não ser lamentar ?
Minha confição me define como um fraco,
Sou o que sou e não vou mudar, ninguém muda uma covardia
minha confição me aprisiona !

Amei, e por muito tempo, ainda amo...
sou um escravo destas palavras que se confundem com o abismo
Que me levam a solidão... A funesta solidão.
Amei e agora o que restou ?
Só há frio no meu peito !
só há vazio nos meus sonhos !
Só há a ausência na minha glória,
Só existe um caminho...

A vaga solidão
Que em mim jás !

( Fabricio souza )