Thursday, October 23, 2014

Delírio de Nós















Minha língua deslizando em seu dorso nupcial
Com o fulgor dos amantes mundanos e etérios
Perdido em meio aos ares da efusão do nosso suor
Em torpor erudido de fragmentos da nossa sobriedade.
Louco e perdido em meios as brumas de orvalhos
Que por entre tuas pernas me invadia de candura e desejo.

- Inferno dos mortais- Assim é nosso vinho de prazer

De loucuras de um anjo sem Deus
Na carne firme de tuas coxas embebidas de langor.
Deslizando meus lábios por tua sinuosidade de Vênus.
Apontando o caminho do êxtase insensato da aureola
Minha boca mordendo tua pele com fulgor
Minha língua ressequida querendo mais o teu prazer.
Você me invadiu com um flerte de inocência
E incoerente me firmei em não te desejar
Agora repousando em teu dorso lívido e quente
Eu me pego partindo a um horizonte desconhecido
E maravilhado com tuas gotas de suor e devassidão.
Parto deste corpo presente na doença deste mundo
Parto mas deixo meus pensamento no profundo lago do nosso amor.
Parto deste mundo sombrio e algoz
Parto da balbúrdia dos mal educados para o silêncio de depois.
Parto desta vida sem recompensa
Para viver ao teu lado na felicidade de nós
Consumindo tua maçã de luxúria e persuasão
Que me leva a desejar partir deste mundo
Para vive em você… Os dois em um só.

Monday, October 06, 2014

Páramo




















A cada dia o errado é mais evidente
Conforme passam-se os anos.
No sorriso um amarelado nos dentes
Que não esconde os tantos enganos

Não tive um átomo que me servia
Na minha oprobiosa gestão de viver
E agora coforme passam os dias
Me conforto nos abraços do sofrer.

No espírito ainda me resta uma parte de confiança
Que guardo no esconderijo da saudade,
Perdida nos enlace de cada lembraça
Do mal que em meu peito arde

Parte de mim é o que Deus criou
E outra é o que o mundo me fez doer.
Não sou a inocência qua a infância cultivou
Sou parte da vida a remoer.

A cada dia o infotúnio me ordena
A perder da vida o prazer da arte
Que tão bela, aprazível e pequena
A vida do brilho que parte.

Um dia me contaram como a vida é generosa
E por breve momentos acreditei na beleza,
Por breve ais… Eu vi quão formosa…
Percebi que não é pra mim tal natureza.

Parte de mim é uma cor escura
Que veste a sorte da alma minha,
Perdidas na mais lúgobre ventura
Da imagem do impossível que se mantinha.

Nunca entendi porque o erro tende a cativar-me
Em sua presunçosa tirania,
Não cessa em atormentar-me
Mesmo em dourados sonhos e fantasias.

Nas ruas deste mundo de babilônia profana
A vida, o sorriso, a gosto vão
Com funesta alegria me engana
A aceitar essa espessa confusão.

Sou parte de um erro sem brasão, sem nobreza
Ficando para um mundo de solidão invisível,
Debatendo com os erros da minha natureza
Dos ares da loucura possível

Sou um caminho ermo sem vitórias para contar
Sem graça a desgraça vem ao encontro.
Vagarosamente tentando me afogar
Vem a vida dos mares sem encanto